terça-feira, 29 de abril de 2014

Reunião de 06/05 e calendário para Maio e Junho



Aproveitando a oportunidade única proporcionada pelo Festival Latinidades, que trará para Brasília no mês de julho intelectuais negras cuja produção é de nosso fundamental interesse, as reuniões de maio e junho serão baseadas em textos de algumas das autoras que participarão do evento. Faremos um "Esquenta: Latinidades".

Abrimos o mês de maio com a reunião de 06/05, discutindo alguns capítulos do livro referencial de Angela Yvonne Davis, Women, race and class. A obra em português pode ser baixada aqui. Debateremos os capítulos 11, 12 e 13 (páginas 125 a 171).

Para os meses de maio e junho, teremos o seguinte calendário de reuniões:

06/05
Reunião exclusiva para mulheres negras
20/05
Reunião exclusiva para mulheres negras
27/05
Reunião aberta a todxs xs interessadxs
03/06
Reunião exclusiva para mulheres negras
17/06
Reunião exclusiva para mulheres negras
24/06
Reunião aberta a todxs xs interessadxs

terça-feira, 22 de abril de 2014

Próxima reunião - 29/04

A próxima reunião do grupo de estudos ocorrerá em 29/04, às 19h00, no Auditório do CEAM (Pavilhão Multiuso I, primeiro andar, Campus Darcy Ribeiro).

Como referência para discussão, utilizaremos o terceiro e quarto capítulos da tese de Janaína Damaceno Gomes, "Os segredos de Virgínia" (pp. 64-147). A tese pode ser baixada aqui.

Continuaremos, portanto, a discutir os estudos de Virgínia Bicudo. Para quem não esteve presente na reunião de 15/04, recomendo também a leitura de trecho de "Atitudes Raciais de Pretos e Mulatos em São Paulo", de Virgínia Bicudo, que pode ser baixado aqui

Seguindo nosso calendário, a próxima reunião será aberta a todxs xs interessadxs. Ou seja, a participação não estará restrita às mulheres negras. Todxs estão convidadxs a participar e todxs são bem-vindxs.

No entanto, a construção de um espaço acadêmico disposto a enfrentar o racismo não depende exclusivamente da boa ou má vontade de cada um(a). Relembro aqui alguns princípios de funcionamento do grupo, já apontados (e postados) anteriormente, e que visam coibir recorrentes práticas acadêmicas racistas e patriarcais – não importa se conscientes ou inconscientes:

- O grupo parte de uma perspectiva feminista e antirracista. Não serão toleradas manifestações de discriminação, de qualquer tipo. Desde que atenda aos princípios do grupo, as mais diversas (e talvez dissonantes) perspectivas serão debatidas;

- As discussões serão articuladas em torno de temas de interesses das mulheres negras. Ou seja, a reunião não se centrará na explicação do que é racismo, sexismo, machismo ou como nós, mulheres negras, os experimentamos;

 - Mulheres não-negras e homens em geral são convidadxs a debater sua própria experiência social. Busca-se assim maior compreensão sobre os efeitos do racismo para pessoas brancas, do machismo para homens, e também coibir a reiterada prática acadêmica de objetificação das mulheres negras e suas experiências;

- É vedada a utilização de discussões como material para produção acadêmica. Afinal, estas são práticas reconhecidamente antiéticas. O uso de formulações de outras pessoas constitui plágio e a utilização de conversas, ideias, relatos etc. como material de pesquisa depende do consentimento e do esclarecimento prévios das pessoas envolvidas.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Texto para reunião de 15/04

Pessoal, o texto para a próxima reunião (15/04, exclusiva para mulheres negras) está disponível online e pode ser baixado aqui.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Calendário de reuniões

Calendário de reuniões

Na segunda reunião do grupo, realizada em 01/04, fizemos alguns ajustes quanto ao modelo das reuniões.

Teremos mensamente duas reuniões exclusivas para mulheres negras, que ocorrerão na 1ª e 3ª terças-feiras de cada mês.

Uma terceira reunião, aberta a todxs xs interessadxs, ocorrerá na última terça-feira de cada mês.

Abril
15/abr

Reunião exclusiva
29/abr
Reunião aberta


Maio
06/mai

Reunião exclusiva
20/mai

Reunião exclusiva
27/mai
Reunião aberta

Os textos serão disponibilizados online e/ou na xerox do Prédio Multiuso (mesmo bloco do CEAM, onde ocorrem as reuniões), na pasta Grupo de Estudos Mulheres Negras, com pelo menos uma semana de antecedência. Postarei informações sobre a disponibilização do texto de cada reunião aqui no blog.

Próxima reunião - 15/04

A próxima reunião será exclusiva para mulheres negras e ocorrerá em 15/04, das 19h00 às 21h30, no Auditório do CEAM (Pavilhão Multiuso I, primeiro andar, Campus Darcy Ribeiro).

O texto de referência é o seguinte:

BICUDO, Virgínia Leone. Atitudes raciais de pretos e mulatos em São Paulo. São Paulo: Editora Sociologia e Política, 2010. pp. 61-123.

Ele está disponível na xerox do Prédio Multiuso (pasta Grupo de Estudos Mulheres Negras)  e também pode ser baixado aqui.

Trata-se de trecho da dissertação de mestrado de Virgínia Bicudo, defendida em 1945 na Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP), da primeira turma de mestrado da instituição. A obra explora as relações entre raça e classe, bem como as diferentes vivências da negritude por pretxs e “mulatxs” (pardxs). Como mulher negra e acadêmica na década de 1940, Virgínia Bicudo desafiou preconceitos e barreiras de gênero e raça, e destacou-se por contestar a visão de que a discriminação racial estaria subsumida à questão de classe, ao explorar também as vivências de negrxs de classe média.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Local da próxima reunião

Pessoal, a próxima reunião ocorrerá no dia 01/04, às 19h00, na sala do Nepom (e não do Nepem), que fica no Pavilhão Multiuso I, UnB – Campus Universitário Darcy Ribeiro. 

Até lá!

sábado, 22 de março de 2014

Segundo encontro - Adiado para 01/04

O segundo encontro do grupo de estudos, previsto para 25/03, será adiado para 01/04, em virtude da realização do ato “Somos todas Cláudias: Ato em repúdio ao racismo e à violência racial”.

Aproveito para convidar a todas para participar do ato, que acontecerá no dia 25/03, a partir das 17h, na Praça Zumbi dos Palmares (em frente ao Conic).

No dia 01/04, às 19h00, o grupo discutirá o texto Pele negra, máscaras brancas, de Frantz Fanon (disponível no link: http://www.geledes.org.br/component/rsfiles/download?path=Frantz_Fanon_Pele_negra_mascaras_brancas.pdf&Itemid=678), em local a ser divulgado aqui no blog.

Princípios de funcionamento do grupo

Na primeira reunião do grupo, realizada em 11/03, foram oportunamente levantadas questões sobre sua composição e funcionamento.

A construção de um espaço de reflexão sobre gênero e raça - a partir de uma perspectiva feminista e antirracista em uma sociedade patriarcal/machista/homofóbica e racista - não é algo simples e não depende exclusivamente da boa vontade dos/das participantes (embora ela seja, sem dúvida, um pré-requisito). A escassez de iniciativas semelhantes e a adoção de um modelo de adesão voluntária e aberta ao grupo colocam ainda desafios adicionais, impostos pelo tamanho do grupo e pela diversidade de interesses e expectativas.

Ao procurar um modelo de funcionamento para o grupo, é fundamental reconhecer que não há respostas prontas ou simples. A busca por soluções deve se pautar pela criatividade e pela abertura à experimentação. Afinal, como mulheres negras, a construção de múltiplas formas de articulação da nossa diversidade (de inserção social, interesse, ponto de vista e/ou opinião) é a base para nossa imprescindível união no enfrentamento às opressões.

A partir desses pressupostos, depois de muitas conversas e ponderações, formulei alguns princípios gerais de funcionamento do grupo:

1) Reuniões abertas a todos/todas os/as interessados/interessadas.

Por se tratar de um grupo de estudos, portanto de natureza primordialmente acadêmica, pensado como um projeto de educação coletiva, não se impõem requisitos para a participação.

A participação de homens e pessoas não-negras pode contribuir para que a) estes segmentos se inteirem das perspectivas e discussões acadêmicas prioritárias para e promovida pelas mulheres negras; b) estes segmentos reflitam sobre seus próprios privilégios e possibilidades de ação/posição simultaneamente feminista e antirracista; c) nós, mulheres negras, em maioria numérica e em espaço destinado a essa finalidade, possamos experimentar formas de posicionamento e interação que não são geralmente possíveis em outros espaços acadêmicos.

2) As discussões serão articuladas em torno de temas de interesses das mulheres negras.

Nós, mulheres negras, gastamos talvez a maior parte de nosso tempo e de nossas energias no espaço acadêmico tentando explicar e provar que o racismo (assim como o patriarcado/machismo/homofobia) existe, que a raça impacta o gênero e nos que nossos objetos de estudo são legítimos e que o que fazemos é ciência. Esses “preâmbulos” pautam boa parte das discussões acadêmicas de que tomamos parte. Consequentemente, temos pouco tempo e energia para investir em nossos objetos de estudo e na produção de conceitos e teorias. Um dos objetivos do grupo é lidar com esse obstáculo.

A nossa experiência não nos permite considerar o racismo e sua conjugação com o patriarcado/machismo/homofobia como hipótese, posto que vivenciados por nós cotidianamente. O grupo se propõe a avançar em suas discussões a partir desse entendimento. Não terá por prioridade, portanto, explicar experiências e interesses de mulheres negras para homens e pessoas não-negras, embora seja esperado que essas pessoas possam refletir sobre posicionamentos e experiências (inclusive os seus próprios) em uma sociedade patriarcal/machista/homofóbica e racista.

 3) Os encontros seguirão o seguinte formato: exposição do texto, discussões em pequenos grupos (alguns exclusivos de mulheres negras), discussão com todo o grupo.

Os argumentos a favor de espaços exclusivos para mulheres negras foram amplamente debatidos na última reunião e estão presentes no excelente texto de Janaína Oliveira (http://blogueirasnegras.org/2013/10/22/precisamos-espacos-exclusivos). Por isso, os pequenos grupos de discussão contarão com grupos exclusivos de mulheres negras.

Quando houver pessoas não-negras e/ou homens em quantidade suficiente, essas pessoas podem também formar grupos exclusivos para debater sobre sua própria experiência.

Sugere-se às pessoas não-negras e homens que participem das discussões primordialmente a partir das reflexões sobre sua própria experiência social, evitando recair na reiterada prática acadêmica de objetificação das mulheres negras e suas experiências.

Os temas debatidos nos pequenos grupos e depois com todo o grupo serão previamente definidos, embora possam ser mudados durante o encontro. Sugestões são bem-vindas e devem ser enviadas com antecedência por e-mail.

4) Sobre a utilização de discussões como material de produção acadêmica.

Para evitar ações que, mesmo sem essa intenção, terminem por reiterar a objetificação das mulheres negras no espaço acadêmico, as discussões proporcionadas pelo grupo de estudo sobre as experiências de mulheres negras não deverão servir de material para produção acadêmica por parte de pessoas não-negras e/ou homens. Continua aberta a possibilidade de que essas pessoas produzam sobre suas próprias experiências e privilégios, tendo em vista seu posicionamento quanto a gênero e raça.

Não há como controlar tais ações por parte dos/das integrantes do grupo. No entanto, fica assim explicitado que essa prática é considerada objetificante e que, ao recorrer a ela, os/as participantes estão aderindo conscientemente a uma prática racista/patriarcal e se valendo, para tanto, de seus privilégios de gênero e raça.

Bruna Cristina Jaquetto Pereira
Coordenadora